Estamos aqui para impulsionar a transformação no mercado da saúde

Diversidade na pesquisa clínica: a importância da inclusão

Escrito por Letícia Nani

julho 13, 2023

Diversidade clínica

Nos últimos anos, houve um aumento na atenção e conscientização sobre conhecidos problemas em relação a diversidade e a inclusão de populações pouco representadas na pesquisa clínica. Grande parte do trabalho e da discussão sobre diversidade se concentrou nas questões em torno da diversidade racial, étnica e de gênero binário (homem/mulher), mas há muitos outros aspectos da diversidade que também precisamos considerar.

Para incluir adequadamente todas as comunidades na pesquisa clínica e responder a importantes questões que afetam toda a sociedade também precisamos garantir que a área seja acolhedora, tenha diversidade e inclua pessoas de todos os gêneros e orientações e identidades sexuais. Infelizmente, as estruturas tradicionais de estudos, os modelos que usamos para protocolos, documentos de consentimento e os dados que coletamos geralmente são projetados de formas que não atendem às necessidades e dados demográficos específicos da população LGBTQIAPN+, principalmente quando falamos de grupos minorizados dentro da própria comunidade.

Deixar de coletar informações sobre identidade de gênero e orientação sexual significa que podem haver outras doenças, condições e fatores de risco que podem ser um problema significativo nessa comunidade e que, dessa forma, permanecerão desconhecidos. E, também, que estamos perdendo a oportunidade de aprender sobre como as intervenções ou tratamentos podem ter eficácia diferente em pessoas LGBTQIAPN+, o que é relevante nas tomadas de decisões individuais e nos esforços de acesso equitativo a saúde pública.

Uma questão básica e que deve ter atenção especial acontece durante a fase inicial da pesquisa, na qual devem ser pensadas as perguntas sobre identidade de gênero, por exemplo. Afinal, estamos falando também de homens e mulheres trans, não somente da mulher e do homem, com o sexo atribuido ao nascimento, a diversidade, equidade e inclusão tem de estar contemplada em todas as fases do processo. Para isso acontecer, temos que ter pessoas que pensem de maneira mais ampla a diversidade, equidade e inclusão nessas etapas.

A inclusão e diversidade nas considerações de cuidados de saúde para pessoas transgênero também é essencial; por exemplo, homens transgêneros – atribuídos ao sexo feminino no nascimento – podem ter doenças ginecológicas, como a endometriose e o câncer de colo de útero (ambas frequentemente mal diagnosticadas), enquanto mulheres transgênero – atribuídas ao sexo masculino no nascimento – podem precisar de exames regulares para câncer de próstata e câncer anal.

Pequenas mais pontuais alterações em protocolos clínicos, documentos de consentimento e formulários de coleta de dados podem resultar em grandes avanços, permitindo a análise dos dados de forma a entender e tratar melhor as necessidades de saúde dessa comunidade e tornar os estudos mais acolhedores e inclusivos, a fim de que as pessoas que fazem parte da comunidade LGTBQIAPN+ se sintam confortáveis ​​e seguras em participar.

Ao final deixo uma provocação. Eu, como gerente médico, homem cisgênero, gay (ou seja, integrante da comunidade LGBTQIAPN+), se não estivesse aqui, em uma posição que traga essa discussão dentro do ambiente de trabalho e da pesquisa clínica, com um certo conhecimento das dificuldades enfrentadas pelas pessoas trans, se não trabalhasse na área médica ou se trabalhasse com qualquer outro assunto, essa reflexão sobre a pesquisa clínica seria levada em consideração? É necessário pensar, discutir e interiorizar as discussões de DE&I dentro das empresas. Essa é uma real necessidade, e isso abrirá portas para um futuro mais justo, equitativo e com saúde para todos.

É necessário debater este tema! Se você, médico deseja partilhar com seus amigos da área e de outras especialidade o que você acha pertinente sobre a diversidade no ambiente clínico cadastra-se já na na primeira comunidade médica digital da epharma por aqui! 

Quer entender como a comunidade médica Jornada 360 do paciente funciona? Acesse o blog da epharma clicando aqui e entenda! 

Via: Saúde Business

Acesse o site da epharma

Artigos em comum

Conhecendo a protagonista em inovação na saúde Carolina Soihet Cohen

Conhecendo a protagonista em inovação na saúde Carolina Soihet Cohen

Carolina Soihet Cohen é uma renomada especialista em Comunicação de Causas e uma das líderes do movimento global pela saúde e igualdade de acesso a tratamentos médicos. Como cofundadora da Colabore com o Futuro, ela está à frente na defesa dos direitos à saúde e na...

Conheça o Protagonista da Saúde: Alex Sanghikian

Conheça o Protagonista da Saúde: Alex Sanghikian

Na busca por entender o futuro da saúde, é crucial conhecer os visionários que estão moldando esse cenário. Entre esses líderes está Alex Sanghikian, atual gerente da área de Digital & Inovação da Sandoz no Brasil. Com mais de 15 anos de experiência na vanguarda...

Acompanhe +O2labs

+o2Labs Respire boas ideias

Sobre +O2labs

Uma plataforma própria com uma metodologia vencedora voltada exclusivamente para inovação na prática com 3 programas distintos:

  • Central de Ideias: campanhas de intraempreendedorismo para fomentar a cultura de inovação com os epharmers, nossos colaboradores.
  • epharma Disrupt: desenvolver os melhores MPVs através de squads multifuncionais e alianças estratégicas para cocriação entre experts.
  • epharma Connect: foco em inovação aberta com staturps que queiram fazer parte de nossos desafios de forma colaborativa, e conectar com outros labs para criar parcerias diversificadas e escalar MVPs.

Junte-se a nós neste mesmo objetivo! Respire boas ideias.