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Sintomas do climatério podem ser combatidos com o uso das mais diversas técnicas

Escrito por Letícia Nani

março 13, 2023

O climatério é um período da vida da mulher que geralmente acontece a partir dos 40 até os 65 anos de idade e que ocorre quando a menstruação começa a ficar irregular, num processo que pode durar mais de seis meses. Esse período de transição do climatério para a menopausa pode demorar de dois a oito anos. A menopausa começa após um ano sem menstruação e a mulher pode apresentar intensamente ou não os sintomas vasomotores, também conhecidos como fogachos e outras alterações, que são piores na pós-menopausa, como explica José Maria Soares Júnior, chefe do setor de Climatério da Divisão de Ginecologia do Hospital das Clínicas e professor associado da Faculdade de Medicina da USP. “Na pós-menopausa, com o tempo, os sintomas vasomotores tendem a diminuir espontaneamente, em algumas mulheres  começam a diminuir e aparecem outros sintomas, que são: atrofia genital, prurido, secura, dispareunia, incontinência urinária, urgência miccional. A gente chama isso de síndrome genitourinária da pós-menopausa.”

Quando a paciente apresenta menstruação irregular e volumosa, o tratamento é hormonal, utilizando progestogênio, devido à falta de progesterona no organismo. Para minimizar os sintomas vasomotores, é utilizado o estrogênio, que tem riscos, sendo necessária uma avaliação médica para verificar se não há alguma lesão precursora do câncer de mama ou de câncer genital, ou ainda alguma condição cardiovascular que impeça o uso do estrogênio, que ajuda nos sintomas genitourinários.

Diversos métodos podem ser utilizados para minimizar os sintomas. “Temos a reposição só com estrogênio naquelas mulheres que são histerectomizadas, nós temos a reposição com estrogênio mais progestogênio naquelas mulheres que têm útero, para proteger o útero da ação do estrogênio a longo prazo, podemos ter só progestogênio quando temos menstruação irregular e um outro progestogênio que nós podemos utilizar é a tibolona, um progestogênio diferente dos outros, que não utilizamos antes da menopausa e que ajuda nos sintomas vasomotores.” A aplicação pode ser por via oral, adesivos ou cremes.

Cuidados e atenção:

O climatério é uma fase da vida da mulher em que ela passa do período reprodutivo para o não reprodutivo e em que o uso de medicamentos requer cuidados e atenção médica. Já se sabe que, hoje em dia, a mulher tem grandes benefícios ao usá-los quando tem sintomas vasomotores, uma condição que diminui a qualidade de vida, mas, se ela não tiver um bom acompanhamento médico, os riscos de ter um tromboembolismo, um infarto, uma doença mamária ou, até naqueles casos em que ela deixou de usar o progestogênio, um câncer endometrial são grandes. Se houver um acompanhamento médico com exames físicos, avaliando as alterações que ocorrem, com prevenção de medidas para melhorar a qualidade e estilo de vida, principalmente com dieta e atividade física, isso pode minimizar o mal-estar, alerta Soares.

Entre as novidades de tratamento há o laser – Hifu, Fraxx -, energias ablativas e não ablativas, que podem ser uma alternativa do estrogênio tópico para as mulheres que não desejam usar o medicamento ou cremes vaginais. Energias ablativas removem partes da mucosa ou do colágeno antigo e as substituem por um novo. Nesse casos, vamos ter lasers como os de CO2, que são mais profundos. Mas existem também os lasers que são mais superficiais.

As energias não ablativas não realizam essa remoção, mas fazem com que uma nova célula, um novo tecido cresça e aumente também a quantidade de colágeno. O Hifu é um deles. Um ultrassom microfocado que vai fazer com que prolifere o colágeno, células e epitélio, o que melhora o trato genital, diminui a dor na relação sexual e também melhora a incontinência urinária. Estes são tratamentos da síndrome genitourinária. Outra técnica que existe é a radiofrequência, que pode ser também ablativa e não ablativa. Segundo o médico especialista em climatério, não existe uma energia superior à outra na literatura, elas são uma alternativa ao estrogênio, e o uso do laser também tem riscos e é necessário que a aplicação seja feita por um profissional capacitado, pois ainda não se sabe o que pode acontecer com seu uso contínuo.

Via: Jornal da USP 

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